12.5.08

Alma minha gentil, que te partiste

Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer te
algüa causa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver te,
quão cedo de meus olhos te levou.

Luís de Camões


I

1. Destaque o tema e o assunto deste soneto.

2. Indique o significado do adjectivo “gentil” neste contexto poético.

3. Há no soneto dois advérbios de lugar que põem em evidência a distância existente entre o poeta e a sua amada.
3.1. Indique-os
3.2. A que lugares se referem essas palavras?

4. A expressão “alma minha...” Contém, sob o aspecto fónico, uma figura que actualmente é evitada. Refira-a, explicando em que consiste.


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