4.2.08

Pois nossas madres van a San Simon


Pois nossas madres van a San Simon
de Val de Prados candeas queimar,
nós, as meninhas, punhemos de andar
con nossas madres, e elas enton
queimen candeas por nós e por si
e nós, meninhas, bailaremos i.

Nossos amigos todos lá irán
por nos veer, e andaremos nós
bailando ante eles, fremosas en cós (1),
e nossas madres, pois que alá van,
queimen candeas por nós e por si
e nós, meninhas, bailaremos i.

Nossos amigos irán por cousir (2)
como bailamos, e podem veer
bailar moças de bon parecer,
e nossas madres pois lá queren ir,
queimen candeas por nós e por si
e nós, meninhas, bailaremos i.

Pêro de Viviaez, CV 336, CBN 698


NOTAS:
(1) em corpo bem feito, sem manto;
(2) contemplar, admirar.





I

1. Caracterize, física e psicologicamente, o sujeito de enunciação da cantiga.

2. Indique as razões que conduzem cada uma das personagens à romaria.

3. As cantigas de amigo são, sob vários aspectos, uma «tradução poética da realidade».

3.1. O que há de intemporal na «realidade» que esta cantiga traduz?

4. Refira o tema da cantiga.

5. Indique os recursos estilísticos dominantes na cantiga.

6. Classifique esta cantiga, considerando quer o assunto quer a forma.


II

Numa composição cuidada, comente a seguinte afirmação de Maria A. Nunes:

«As saudades provocadas pela ausência trazem consigo grande inquietação e desejo ardente de um breve regresso do bem-amado. Dessa inquietação a apaixonada faz confidência à mãe, às amigas e à própria Natureza.»