9.2.08

Destino

Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprendeu?

Quem diz à planta -" Floresce!"
E ao mudo verme que tece
Sua mortanha de seda
Os fios quem os enreda?

Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou à vermelha
O seu mel há-de ir pedir?

Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem...
Ai! não mo disse ninguém.

Como a abelha corre ao prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino
Vim cumprir o meu destino...
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer.

Almeida Garrett, Folhas Caídas


I

1. Assunto
1.1. Indica o assunto do texto.

2. Estrutura interna
2.1. Divide o texto em partes.
2.2. Que relação se estabelece entre elas?

3. Sentimentos
3.1. Transcreve a frase do texto que comprova que o amor cantado pelo poeta é o amor fatal.
3.2. Refere algumas palavras que apontam para a concepção platónica do amor.

4. A Natureza
4.1. Descobre, em relação ao tema, a característica mais significativa de cada elemento da Natureza.
4.2. Mostra como o poeta faz reverter a seu favor essa característica.

5. Expressividade da linguagem
5.1. Explica o valor semântico da anáfora, da hipérbole e da aliteração.

6. Teatralidade
6.1. Comprova a teatralidade do discurso.

7. Corrente literária
7.1. Insere o texto na sua corrente literária.


II

A poética de Folhas Caídas é a expressão vivida de contradições amorosas, provocadas pela visão da mulher e pelo domínio desta sobre o homem.
• Num texto de 12 a 15 linhas, comprova esta afirmação, apoiando-te em leituras de poemas dessa obra.