10.1.08

Identidade

Moonlight Sonata Poster


Matei a lua e o luar difuso
Quero os versos de ferro e de cimento
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito
e luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
Têm maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.

Miguel Torga, Penas do Purgatório



I

Depois de uma leitura cuidada, elabore um comentário global do poema transcrito, tendo em atenção os níveis formal, tónico, morfossintáctico e semântico, de modo a, entre outros aspectos, evidenciar:
- o trabalho de construção das ideias que permite a metáfora "endurecer a forma da emoção" (v. 12);
- as sugestões de perenidade e a atracção telúrica;
- o valor do título e as imagens-símbolo;
- as temáticas humanistas e telúricas;
- o tom do discurso e a expressividade da linguagem.


II

A literatura do século XX revela-nos uma poesia de afirmação feminina, que reflecte não apenas um intimismo mais profundo e de intensidade desnuda ou dorida, mas também a "perseguição do real" e a clarividência de um tempo.

Numa dissertação cuidada, de duzentas a trezentas palavras, procure reflectir criteriosamente sobre a poesia elaborada por mulheres como Florbela Espanca e Sophia de Mello Breyner Andresen.


III

Resuma o excerto a seguir transcrito, constituído por trezentas e setenta e uma palavras, num texto de cento e treze a cento e trinta e três palavras.


Portugal é um país em cuja história a emigração tem sido, como os historiadores da Idade Moderna e os especialistas contemporâneos bem sabem, uma constante praticamente desde o início da nossa empresa dos descobrimentos de novas terras e de novos caminhos no mar. Essa emigração tem dois aspectos bem distintos, correspondendo o primeiro a uma fase em que o pro¬jecto migratório individual se encontra inserido num projecto global do Estado, em que se destaca a acção da Coroa, e o segundo a outra fase em que o projecto passa a ser fundamentalmente pessoal, como é hoje o caso, regra geral, e tem sido desde meados do século XVIII. É, com efeito, nesta altura que a exploração do Brasil adquire novo carácter e a saída de portugueses para esse país começará a aumentar num ritmo sempre crescente, que se intensificará, significativamente, no século XIX.
Pode dizer-se que os primeiros emigrantes, em sentido lato, são os colonizadores das ilhas do Atlântico, que na altura da sua descoberta eram desertas, tendo sido a Madeira a primeira onde os Portugueses se instalaram com carácter permanente, seguindo-se a colonização dos Açores, de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe. Só se pode voltar a falar em colonização algo mais tarde e em relação ao Brasil, que foi dividido em capitanias hereditárias em 1534, tendo os respectivos donatários obrigação de promover o povoamento e, de modo geral, assegurar condições de vida civilizada e segura, em moldes correspondentes aos do Reino.
Quanto à África e ao Oriente, os Portugueses, em princípio, preocuparam-se com o estabelecimento de entrepostos comerciais e a fixação de guarnições militares destinar-se-á principalmente à defesa da liberdade de comerciar.
[...] Ao longo de séculos, através de gerações, arriscámos a dispersão na aventura de milhões de homens e alcançámos, na sua fidelidade de sentimentos, em modos de vida e relacionamento entre si e com os outros infinitamente variáveis, a universalidade de uma presença cultural e, do mesmo modo, um potencial ilimitado de recursos morais, intelectuais e materiais, para o desenvolvimento do nosso país, para a afirmação da sua imagem e acção internacionais. Portugal transformou-se, não por projecto ou obra do Estado, mas pelo feito dos Portugueses, numa nação de comunidades viva nas sete partidas do Mundo.

Países, Povos e Continentes, IV, Círculo de Leitores