27.1.08

Canto VI, 83-87

83
"Ó ditosos aqueles que puderam
Entre as agudas lanças Africanas
Morrer, enquanto fortes sostiveram
A santa Fé nas terras Mauritanas!
De quem feitos ilustres se souberam,
De quem ficam memórias soberanas,
De quem se ganha a vida com perdê-la,
Doce fazendo a morte as honras dela!"

84
Assim dizendo, os ventos que lutavam
Como touros indómitos bramando,
Mais e mais a tormenta acrescentavam
Pela miúda enxárcia assoviando.
Relâmpados medonhos não cessavam,
Feros trovões, que vêm representando
Cair o céu dos eixos sobre a terra,
Consigo os elementos terem guerra.

85
Vénus abranda o furor dos ventos
Mas já a amorosa estrela cintilava
Diante do Sol claro, no Horizonte,
Mensageira do dia, e visitava
A terra e o largo mar, com leda fronte.
A densa que nos céus a governava,
De quem foge o ensífero Orionte,
Tanto que o mar e a cara armada vira,
Tocada junto foi de medo e de ira.

86
"Estas obras de Baco são, por certo,
Disse; mas não será que avante leve
Tão danada tenção, que descoberto
Me será sempre o mil a que se atreve."
Isto dizendo, desce ao mar aberto,
No caminho gastando espaço breve,
Enquanto manda as Ninfas amorosas
Grinaldas nas cabeças pôr de rosas.

87
Os ventos e as Ninfas
Grinaldas manda pôr de várias cores
Sobre cabelo; louros à porfia.
Quem não dirá que nascem roxas flores
Sobre ouro natural, que Amor enfia?
Abrandar determina, por amores,
Dos ventos a nojosa companhia,
Mostrando-lhe as amadas Ninfas belas,
Que mais formosas vinham que as estrelas.


I

Assinala com V ou com F as afirmações que julgues verdadeiras ou falsas.

1. Vénus é a deusa:
a) da guerra;
b) da paz;
c) do amor.

2. Baco é o deus:
a) da guerra;
b) do vinho;
c) do fogo.

3. Júpiter é o deus:
a) da vida;
b) da sabedoria;
c) pai de todos os deuses.

4. Marte é o deus:
a) da medicina;
b) da guerra;
c) da poesia.

5. Baco quer contrariar a navegação dos portugueses porque:
a) não gosta dos portugueses;
b) não gosta de Vénus;
c) não quer que outros ocupem os seus domínios.

6. Vénus é a favor dos portugueses porque:
a) não gosta de Baco;
b) os portugueses falam a língua que o seu filho criou;
c) os portugueses são grandes navegadores.

7. O episódio da tempestade foi:
a) o único obstáculo que Baco levantou;
b) uma das tentativas de destruir os portugueses;
c) a primeira oposição de Baco.


II

1. Vendo a fúria dos ventos, Vasco da Gama pede socorro a Deus. A primeira estrofe transcrita é a parte final da sua oração.
1.1. Que pessoas lembra Vasco da Gama?
1.2. Porque razão lembra essas pessoas?
1.3. Explica o sentido dos dois versos finais.

2. Na segunda estrofe transcrita, o narrador faz a descrição da tempestade.
2.1. Em que momento da viagem se dá a tempestade?
2.2. Que elementos estão destacados para representar essa tempestade?
2.3. Explica o sentido do imperfeito verbal.

3. A terceira estrofe inicia-se por "Mas".
3.1. Qual o sentido que introduz esta palavra?

4. Faz a caracterização de Vénus.
4.1. Quais foram os sentimentos de Vénus quando viu o mar e a armada portuguesa?

5. Vénus sabe que a tempestade foi desencadeada por manobras de Baco.
5.1. Refere outra ocasião em que Baco e Vénus entraram em conflito.
5.2. É muito ou pouco importante o conflito num poema épico? Justifica a resposta.
5.3. Resume, em poucas palavras, a acção de Baco e de Vénus que, ao longo de toda a obra, entram em conflito e tentam vencer a sua luta.

6. De quem se faz acompanhar Vénus?
6.1. Por que razão manda enfeitar, de forma tão perfeita, a sua companhia?


III

1. Transforma a fala de Vénus em discurso indirecto.

2. Encontram-se no texto as palavras "pôi" e "pot".
2.1. Classifica-as quanto à relação fonética e gráfica.
2.2. Também se encontram no texto as palavras "são" e "leve". Ora, há na língua portuguesa "são" (verbo ser) e "são" (adjectivo); "leve" (verbo) e "leve" (adjectivo); "era" (verbo) e "hera!' (planta). Classifica estas palavras quanto à relação sua fonética e gráfica.

3. Repara nestes conjuntos de palavras:
mar -»agua grinaldas -»flor
Vénus -> deuses Sol -»astros
3.1. Classifica-as, tendo em conta a extensão do seu sentido.

4. As Ninfas oferecem aos ventos a sua beleza. A força da beleza das Ninfas aplaca os ventos.
4.1. Transforma estas duas frases simples numa frase complexa de modo a evitar as repetições.
4.2. Classifica, depois, as duas orações.


IV

1. Na primeira estrofe, há a repetição de "De quem" no início de três versos.
1.1. Que nome se dá a esta repetição?
1.2. Qual a importância da mesma?

2. Há na segunda estrofe algum exagero na descrição da tempestade.
2.1. Encontra duas figuras de estilo que realizam esse exagero.
2.2. Explica a sua expressividade.

3. "Mostrando-lhe as amadas ninfas belas/Que mais fermosas vinham que as estrelas."
3.1. No primeiro verso transcrito, há um duplo adjectivo. Qual a sua expressividade?
3.2. No segundo verso transcrito, há uma figura de estilo. Explica o seu sentido.


V

"De quem se ganha a vida, com perdê-la, Doce fazendo a morte as honras dela!"
De filmes ou de imagens televisivas que tens visto, conheces pessoas que arriscaram a vida para salvar outras pessoas.
Num texto bem estruturado, conta uma história, real ou inventada, de uma dessas pessoas.