7.11.07

Orfeu Rebelde





Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do Tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.

Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.

Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.

Miguel Torga


I

Leia atentamente o poema Orfeu Rebelde e responda às seguintes questões:
1. Identifique o assunto do poema.
2. Indique a função do "canto" do sujeito poético.
3. Aponte os processos utilizados para transmitir a noção de tempo e eternidade.
4. Mencione os factores que conferem musicalidade ao poema.
5. Identifique as imagens utilizadas e o seu valor expressivo.


II

Sem deixar de parte um certo comprometimento social, há em Torga um sofrimento magoado, feito desassossego, que tanto permite a esperança como conduz ao desespero.
Recordando o estudo que fez da obra de Miguel Torga, elabore uma composição em que apresente as principais linhas de pensamento e de personalidade presentes na sua poesia.