28.11.07

Contrariedades





Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.
Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores. Arte?
Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.
Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua coterie;
F. a mini, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.
A adulação repugna aos sentimentos finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exactos,
Os meus alexandrinos...

Cesário Verde



I

Relacione a crítica ao Jornalismo que é apresentada no texto com a que está patente no episódio da redacção do jornal A Tarde, de Os Maias.
Comente o retraio da engomadeira.
Reconheça, no texto transcrito, valores do Realismo.


II

Com base no estudo do Livro de Cesário Verde, desenvolva a seguinte afirmação de Hélder Macedo:


"Como a antinomia que mais exemplarmente reflecte, em termos sociais, culturais e políticos, a crise de transição da sociedade no tempo de Cesário é o contraste entre o campo e a cidade, é em volta dela que a sua poesia se vai organizar."

in Nós - uma leitura de Cesário Verde.