28.10.07

Os amantes sem dinheiro


Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados,
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
15 à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

Eugénio de Andrade, Antologia Breve


I

1. O poema de Eugénio de Andrade que acabaste de ler desenvolve-se com base numa repetição.
1.1. Identifica-a.
1.2. Explica de que forma aquela repetição estabelece um contraste aparente entre o poema e o título.
1.3. Indica a função sintáctica que o título - "Os amantes sem dinheiro" - desempenha em relação a todas as frases que se iniciam pela referida anáfora.

2. Comenta o valor contextual do tempo verbal repetido insistentemente ao longo deste poema.

3. Sinaliza no poema:
- uma personificação;
- uma metáfora.
3.1. Explica, por palavras tuas, o sentido dos três últimos versos.

4. Indica o valor do conector que introduz esses três últimos versos do poema.


II

1. O diário é um texto narrativo orientado, tal como o texto lírico, para a expressão do eu, que se caracteriza, entre outras coisas, pelo uso do discurso na 1.a pessoa.
Num texto que contenha entre 120 e 140 palavras, faz o registo dos acontecimentos de um dos dias da passada semana, que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem, em forma de diário.