14.10.07

Oh, como se me alonga, de ano em ano




Oh, como se me alonga, de ano em ano,
a peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
este meu breve e vão discurso humano!

Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
perde-se-me um remédio, que inda tinha;
se por experiência se adivinha,
qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;
no meio do caminho me falece,
mil vezes caio, e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
se os olhos ergo a ver se inda parece,
da vista se me perde e da esperança.

Luís de Camões



I

1. O sujeito poético manifesta desalento em relação à vida.
1.1 Identifica, na primeira estrofe, as duas formas de designar a vida.
1.1.1 Explicita o seu sentido.
1.2 Por que motivo o poeta afirma que a vida se «alonga» (v. 1) e «se encurta» (v. 3)?
1.3 Interpreta a expressividade do uso da interjeição e a pontuação.

2. Atenta na segunda estrofe.
2.1 Explica o sentido do primeiro verso.
2.2 O sujeito poético afirma que se perde «um remédio, que inda tinha». A que remédio se refere?

3. Das últimas duas estrofes, transcreve as expressões que transmitem a ideia de luta, de busca do bei desejado.
3.1 Refere o nome das figuras de estilo presentes nos versos 10 e 11.
3.1.1. Esclarece a sua expressividade.


II

1. Reescreve os versos 1 e 2 respeitando a norma de construção da língua portuguesa.

2. Atenta nas seguintes formas verbais:
a) «vai-se gastando» (v. 5)
b) «caio» (v. 11)
2.1. Classifica-as quanto ao aspecto verbal.

3. Integra na respectiva classe e subclasse de palavras:
• «minha» (v. 2)
• «fim» (v. 3)
• «vão» (v. 4)
• «que» (v. 6)
• «qualquer» (v. 8)
•«Mil» (v. 11)
• «Quando» (v. 12)
•«Se» (v. 13)