11.10.07

Desfecho

Não tenho mais palavras.
Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte).
Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente,
Do teu vulto calado,
E paciente...
E lutei, como luta um solitário
Quando, alguém lhe perturba a solidão
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.
Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia...
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par na teimosia.

Miguel Torga, Câmara Ardente


I

1. Divida o poema nas suas partes lógicas e identifique o assunto de cada uma.
2. Identifique e caracterize o destinatário do poema.
3. Explicite a relação estabelecida entre o sujeito poético e esse destinatário:
- no passado;
- no presente.
4. "Soltei a voz, arma que tu não usas, / Sempre silencioso na agressão."
4.1. Explique o sentido dos versos transcritos.
4.2. Identifique os recursos estético - estilísticos.
5. Comprove, a partir do poema, que a negação do Divino é, para Torga, uma forma de afirmar o Homem.


II

Elabore uma dissertação em que aborde o seguinte tema: o mito de Anteu na poesia de Miguel Torga.


Hércules lutando com Anteu, levantando-o do chão