12.10.07




Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se dũa outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que de uns e de outros olhos derivadas,
Se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela ouviu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.

Luís de Camões



I

1. A redundância é um dos vectores que estruturam este soneto e assume aqui várias formas. Evidencia:
1.1. A anáfora que substituo o signo madrugada ao longo do poema.
1.2. Duas repetições de significados por sinonímia.
1.3. Uma repetição do mesmo verbo, em formas diferentes.

2. A madrugada é caracterizada no 1º verso por uma antítese.
2.1. Identifica-a.

3. Qual o sentimentos que predomina no poema?
3.1. Qual é a causa desta tão grande tristeza?
3.2. Por que razão a madrugada nos é apresentada no soneto com este estado de espírito contraditório?

4. A madrugada surge como testemunha de um acontecimento e, portanto personificada.
4.1. Descreve a cena testemunhada.
4.2. Sublinha os verbos e os adjectivos que dão corpo à personificação.

5. O sentimento aqui em evidência é profundamente exacerbado pelo sujeito lírico.
5.1. Faz o levantamento dos recursos estilísticos ao serviço desse exagero.