1.8.07

Cidade




Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas

Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

Sofia de Mello Breyner Andresen, Poesia I


Vocabulário: rumor – sussurro de vozes



I

No poema duas realidades se opõem – a cidade e o mundo das coisas

1. A cidade
1.1. O que a caracteriza?
1.2. A imagem que nos é transmitida dela é de opressão. Justifique com elementos textuais.

2. O mundo das coisas
2.1. Sublinhe os elementos que o integram.
2.2. A imagem que nos é transmitida dele é de perfeição. Justifique com elementos textuais.

3. Refira o processo estilístico utilizado para transmitir essas imagens que se opõem.

4. Saber/Vejo - A combinação dos dois verbos explica a relação do eu lírico com as duas realidades.
4.1. O que sabe o eu lírico?
4.2. E o que vê?
4.3. Que sabe que existe mas não vê?
4.4. Procure descobrir onde guarda o eu lírico as imagens conhecidas, mas não vistas.

5. Que sentimento(s) deixa o eu lírico transparecer? Justifique a sua resposta.

6. Explique este verso A minha alma que fora prometida no contexto da relação do eu lírico com as duas realidades.

7. Aponte os campos semânticos de luz e de sombra.

8. Explique a aspiração – desejo do eu lírico, atendendo aos campos semânticos de luz e sombra criados no poema.

9. Considerando o número de versos da última estrofe, como se designa?

10. Apresente o esquema rimático e refira o tipo de rima da última estrofe.