16.7.07

Mar

Mar!

Tinhas um nome que ninguém temia:
Era um campo macio de lavrar
Ou qualquer sugestão que apetecia...
Mar!
Tinhas um choro de quem sofre tanto
Que não pode calar-se, nem gritar,
Nem aumentar nem sufocar o pranto...
Mar!
Fomos então a ti cheios de amor!
E o fingido lameiro, a soluçar,
Afogava o arado e o lavrador!
Mar!
Enganosa sereia rouca e triste!
Foste tu quem nos veio namorar,
E foste tu depois que nos traíste!
Mar!
E quando terá fim o sofrimento!
E quando deixará de nos tentar
O teu encantamento!

Miguel Torga, Poemas Ibéricos


I

O texto que acabou de ler faz uma evocação do Mar.
1. O poema desenvolve-se, essencialmente, em dois momentos: o apelo irresistível do Mar e as suas consequências.
1.1. Faça uma delimitação textual desses dois momentos.
1.2. Transcreva o verso que faz a sua articulação.

2. Explique a metáfora presente na primeira estrofe.
2.1. Refira e interprete a sua transformação na estrofe 3.

3. A segunda estrofe sugere um apelo de natureza mais humana. Baseando-se no texto, explique esta afirmação.
3.1. Esse choro apelativo do Mar vem "representado" poeticamente dum modo nega¬tivo na 4ª estrofe. Tendo em consideração a linguagem do texto, documente esta afirmação.

4. Atente nos verbos que se encontram no pretérito imperfeito, no pretérito perfeito e no futuro do indicativo.
4.1. Explicite neste contexto o seu valor semântico.


II

Comente o seguinte texto:

Sem deixar de parte um certo comprometimento social, há em Torga um sofrimento magoado, feito desassossego, que tanto permite a esperança como conduz ao desespero.
Recordando o estudo que fez da obra de Miguel Torga, elabore uma composição em que apresente as principais linhas de pensamento e de personalidade presentes na sua poesia.