12.7.07

Aquela triste e leda madrugada



Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se dũa outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que de uns e de outros olhos derivadas,
Se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela ouviu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.

Luís de Camões


I

1. Releve a razão por que a madrugada nos é apresentada como “triste e leda”.

2. O poeta exprime a sua profunda tristeza. Indique as expressões que dão continuidade ao adjectivo “triste”.

3. Atente nos aspectos morfossintácticos e semânticos mais relevantes.
3.1. Faça um levantamento dos adjectivos e dos verbos que servem a personificação da madrugada.
3.2. Associe a repetição do verbo “ver” ao papel que a madrugada desempenha no poema. ´
3.3. Demonstre que a importância da madrugada é reforçada pelo emprego da anáfora.

4. Identifique as seguintes figuras de estilo:
Triste e leda
Lágrimas em fio
Se acrescentaram em grande e largo rio
Viu as palavras
Tornar o fogo frio