25.6.07

Meu ser evaporei na lida insana




Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava;
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana!

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mais eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, oh Deus!... Quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

Bocage



I

1. O soneto desenvolve-se em torno de uma atitude moral assumida pelo poeta. Identifica-a e demonstra-a.
1.1. Evidencia a importância da antítese temporal face a tal atitude.

2. Esta poesia revela uma linguagem (um discurso) confessionalista.
Aponta marcas dessa linguagem, desde as gramaticais a figuras de retórica.
2.1. Integras esta característica da poesia de Bocage no período neoclássico ou na corrente pré-romântica? Justifica considerando também este soneto.

3. Tendo em conta o contexto, indica o valor semântico dos usos do imperfeito do indicativo (2. ° e 3. ° versos) e do modo conjuntivo (13.° e 14.° versos).


II

Na sociedade actual, vários são os perigos que (também) ameaçam uma vida sã e equilibrada. Escolhe dois desses perigos e tece sobre eles um comentário devidamente ordenado, usando uma linguagem correcta.