11.5.07

A frouxidão no amor é uma ofensa





A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão, fervor e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.

Vê qual sou, vê qual és, vê que difrençal
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.

Tu só tens gratidão, só tens brandura,
E, antes que um coração pouco amoroso,
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.

Talvez me enfadaria aspecto iroso;
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-me cativo, e não me faz ditoso.

Bocage


I

1. "A frouxidão no amor é uma ofensa"
1.1. Explicita devidamente o sentido deste verso.

2. Explica de que modo o dialogismo constitui um dos elementos estruturantes do poema.

3. "Vê qual sou, vê qual és, vê que dífrença”
3.1. Explica em que consiste essa diferença referida pelo sujeito poético.

4. Indica três recursos expressivos utilizados no poema e refere o seu contributo para a valorização da mensagem poética.

5. Comenta o valor expressivo da pontuação utilizada na segunda quadra.

6. Diz de que forma este poema se aproxima e/ou se afasta de outros poemas bocagianos estudados.


II

Numa composição expositivo-informativa, diz em que medida os poemas estudados de Bocage justificam a seguinte afirmação de Jacinto do Prado Coelho, a propósito do Pré-Romantismo:

"...a poesia enche-se de sombras melancólicas, derrama o gosto da Natureza solitária, propícia ao devaneio e à meditação, elogia a noite, prefiguração da Morte, compraz-se doentiamente no espectá-culo das ruínas e dos cemitérios."