3.4.07

Reportagem


Violência entre crianças

No rescaldo de três homicídios cometidos por crianças, a opinião pública internacional viu-se obrigada a procurar as causas e a apontar responsáveis. Os culpados até agora encontrados são a família, a sociedade e a televisão. A caixa mágica que revolucionou o mundo parece estar a inspirar alguns actos violentos praticados por crianças. Em Fevereiro de 1993 duas crianças de 11 anos raptaram um bebé de dois anos num centro comercial em Liverpool e espancaram-no até à morte. Em Outubro de 1994, três crianças de seis anos que brincavam no jardim infantil de Trondheim (Noruega) decidiram espancar uma rapariga (com cinco anos de idade) até à morte. Na mesma altura, em Chicago, um grupo de crianças atirou uma outra de um arranha-céus. Coincidências? Em comum todas estas crianças alegaram imitar o que tinham visto na TV. As crianças de Liverpool visionavam com frequência vídeos violentos que o pai de uma delas tinha em casa e as de Chicago disseram que tinham feito o mesmo que as Tartarugas Ninja, que caem e nunca se aleijam...
A TV 7 Dias deslocou-se ao infantário O Ursinho, onde falou com algumas crianças e com a directora do jardim de infância. A educadora Teresa Espírito Santo é peremptória em afirmar que a televisão influencia o comportamento das crianças, tanto mais que tem visto um aumento da agressividade infantil ao longo dos anos em que exerce da profissão. "Os heróis que ele hoje imitam são cada vez mais violentos. Embora haja uma luta contra o mal, o mais importante para eles é ser forte e para isso têm de ser os mais maus. Claro que isso se reflecte nas suas brincadeiras”, refere a educadora. E tal como cada criança tem uma forma própria de mostrar a sua agressividade, também existe uma idade certa para serem influenciadas e entenderem aquilo que captam. A esse propósito a directora de O Ursinho diz que "a idade em que a agressividade mais se revela é entre os quatro e os cinco anos; depois quando vão para a primária começa a haver uma fase em que eles percebem que não é tanto assim, que nem sempre é o mais forte que vence, mas também vence aquele que sabe mais". As imagens que as crianças vêem na televisão interferem na formação da sua personalidade. "Aqui no jardim de infância temos crianças com uma grande carga agressiva. Muita dessa agressividade pode ser justificada pela educação e pela vivência dos miúdos, mas também pelo que eles captam das imagens televisivas", diz Teresa e acrescenta: "tínhamos uma criança extremamente agressiva e quando chegava ao infantário contava-nos que tinha visto filmes de terror. E isso revelava-se no seu comportamento. À menor briga explodia"... Em relação aos desenhos animados que as crianças preferem, a educadora explica que "há crianças a quem o Bambi e a Branca de Neve não dizem nada e preferem as Tartarugas Ninja, enquanto outros gostam de ambos os géneros. Isso tem a ver com a própria natureza das crianças".
O Ursinho tem crianças entre os três e os oito anos de idade, divididas por duas classes. Falá-mos com algumas dessas crianças e ficámos a saber que a sua preferência ia para as Tartarugas Ninja e os Moto-Ratos. O Toninho tem quatro anos e diz que os desenhos animados que prefere são os Flintstones. "Mas eles não batem muito. Às vezes dão pontapés. E eu faço como eles, mas não dou pontapés." O Francisco prefere os Widget e afirma: "Eles não batem muito, só se transformam, mas há uns que são muito maus. Eu quando brinco não bato nos meus amigos, só me transformo; os bons são mais giros. Se eu tivesse que escolher só via desenhos animados com bons." Um dos adoradores das Tartarugas Ninja é o Pedro Miguel, de quatro anos. "Eu gosto mais de ver as Tartarugas Ninja. "Mas elas são boas, batem só nos maus. Eu gosto dos bons e não bato neles quando brinco às Tartarugas Ninja". Os Moto-Ratos são outros dos eleitos. O pequeno Tiago, de cinco anos, diz: "Eu gosto dos Moto-Ratos porque eles são bons e matam os maus. Eu acho bem matar os maus. Quando brinco aos Moto-Ratos também mato os maus e mato-os com a mota. A moto tem tiros e pistolas. Mas se eu pudesse escolher, escolhia só os bons".


In: TV 7 Dias



O texto que acabou de ler é uma reportagem que aborda um assunto que tem sido muito discutido. O assunto do texto divide-se em duas partes.

1. 1. Delimite as partes que constituem o texto e resuma muito brevemente o conteúdo de cada uma delas.
2. 2. Quais são os culpados apontados no texto para os actos violentos praticados pelas crianças?
3. O repórter da revista TV7 Dias desloca-se a um infantário.
3.1Como se chama o infantário?
3.2. Quem ouviu o repórter da revista TV7 Dias no infantário?
3.3. Refira-se, de modo sucinto, à opinião dada pela educadora Teresa Espírito Santo sobre a influência da TV nas crianças.
3.4. Que diferença de comportamento vê nas crianças a directora do infantário
quando têm 4/5 anos e a idade em que frequentam a primária?
4. Atribua um título a esta reportagem e justifique a sua escolha.


II

1. Indique o tipo e a forma da seguinte frase: A TV 7 Dias deslocou-se ao infantário.
1. 1. Reescreva-a na forma negativa e tipo interrogativo.
1.2. Identifique o sujeito e o predicado da frase:
1.3.Identifique os determinantes da frase.
1.4. Diga qual a subclasse a que pertence cada um deles.
2. Identifique os adjectivos da frase: O mais importante para eles é ser forte.


III

Dos dois temas sugeridos escolha apenas um:

A) Os meios de comunicação social são armas poderosas que influenciam diariamente cada um de nós.
Com base nesta afirmação, construa um texto sobre os benefícios e prejuízos causados pelos meios de comunicação social.

B) Expresse, numa redacção cuidada, o seu ponto de vista em relação à polémica responsa-bilização da televisão pela violência entre crianças.