28.4.07

Dedicatória (C.I, 7-10)

7
Vós, tenro e novo ramo florecente,
De hüa árvore, de Cristo mais amada
Que nenhüa nascida no Ocidente,
Cesárea ou Cristianíssima chamada
(Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas e deixou
As que Ele pera Si na cruz tomou);

8
Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro,
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando dece o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco Oriental e do Gentio
Que inda bebe o licor do santo Rio:

9
Inclinai por um pouco a majestade
Que nesse tenro gesto vos contemplo,
Que já se mostra qual na inteira idade,
Quando subindo ireis ao eterno Templo;
Os olhos da real benignidade
Ponde no chão: vereis um novo exemplo
De amor dos pátrios feitos valerosos,
Em versos divulgado numerosos.

10
Vereis amor da pátria, não movido
De prémio vil, mas alto e quase eterno;
Que não é prémio vil ser conhecido
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi: vereis o nome engrandecido
Daqueles de quem sois senhor superno,
E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo Rei, se de tal gente.

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto I



I

1. A quem é que Camões dedica Os Lusíadas?

2. Que elogios faz o poeta à personagem a quem dedicou a obra?

3. Que pedido lhe faz o poeta?

4. Tendo em conta o que diz a estrofe 10, indique as razões levam Camões a escrever Os Lusíadas.

5. Diga o que entende por «torpe Ismaelita» e «senhor superno».

6. Explique a formação das palavras florecente, valerosos e inda.

7. Faça a análise formal (estrofe, métrica e rima) da estância número 8.

8. Atente nos seguintes versos: «E julgareis qual é mais excelente, / Se ser do mundo Rei, se de tal gente».

8.1. Divida e classifique as orações.

8.2. Classifique morfologicamente as palavras da segunda oração.

8.3. Faça a análise sintáctica da primeira oração.


II

Numa composição cuidada, procure explicar as razões que levaram Camões a dedicar Os Lusíadas a uma ilustre personagem e que terá ganho o poeta com a protecção da mesma.