9.2.07

TPCs


Chelsea acordou com uma sensação esquisita na boca, no estômago, e espreitou as horas no relógio da mesa-de-cabeceira. Sete e meia. Fechou os olhos com força e tentou adormecer novamente, mas a ideia de todo aquele trabalho de casa por fazer dentro da pasta fazia-a sentir-se doente. Só faltava uma semana s para os exames de preparação. Era muito bonito Miss McConnell dizer que ela se sairia bem, e que as más notas do período anterior não passavam de um aviso, mas sabia que a professora ficaria aborrecida se ela não fizesse o trabalho de casa marcado para as férias. E mais, os pais viriam logo com previsões muito lúgubres a respeito das filas de desempregados e oportunidades desperdiçadas. O novo período lectivo começava dali a dois dias, e era impossível conseguir fazer tudo, nem mesmo que o seu cérebro finalmente se predispusesse à acção.
Deveria ter deitado mãos à obra ainda antes do Natal. Até nem fizera tenções de ir adiando, só que de cada vez que se sentava para começar, punha-se toda trémula e afogueada e sabia que não ia resultar. Chegara, inclusivamente, a elaborar um horário de trabalho, com uma cor diferente para cada disciplina e um quadrado para pôr uma pica quando a tarefa ficasse concluída.
Evidentemente que a culpa não era toda sua. Os jornais vinham cheios de artigos sobre os efeitos negativos para as crianças pequenas de as mães saírem para trabalhar, mas ninguém se detinha um segundo para considerar os traumas causados aos adolescentes quando o progenitor materno estava em casa. A mãe dela podia ter muitos defeitos, alguns deles tão óbvios que até embaraçavam, mas era brilhante a elaborar dissertações do nada, enquanto punha a mesa ou aspirava a carpete, e era capaz de ditar uma análise dos poetas do período da guerra ou um comentário sobre o humor de Jane Austen, nas calmas. Pelo menos naquele dia era feriado, e a mãe poderia atender às necessidades da filha altamente tensa, em vez de passar o tempo diante do microfone a dar o benefício da sua experiência profissional a perfeitos estranhos.
Era escusado, pensou, saindo relutantemente da cama e enfiando nos pés os chinelos do Bart Simpson. Não podia adiar mais. Talvez se se sentasse de roupão e tentasse escrever os primeiros parágrafos, conseguisse começar a funcionar.
Tirou uma folha de papel do dossier de Sociologia e pegou na caneta. Leu o título. E voltou a lê-lo. Era estúpido - como podia escrever quatro folhas A4 sobre aquilo?
Estava com fome. Era esse o problema. Iria comer uns flocos de cereais e uma banana e depois ficaria em forma.
Ia a descer as escadas quando o telefone tocou.
- Leehampton 5-5-4-9-0-1, fala Chelsea Gee. Não, lamento, ela está a dormir. A dormir, sim. Quem devo dizer que telefonou? Trudie? Oh, olá. Sim, lembro-me. Não, ela disse que já não trabalhava nos feriados...

Rosie Rushton, Por Favor Acabem Com as Confusões



I

1. De entre cada grupo de afirmações, assinala a que, segundo o texto, é verdadeira.

1.1. Chelsea não tinha feito os trabalhos de casa porque:
a. eram muitos
b. não conseguia começar
c. a mãe não a ajudou

1.2. Para Chelsea a mãe não a ajudava porque:
a. trabalhava fora de casa
b. não sabia Sociologia
c. ajudava estranhos

2. Sintetiza o primeiro parágrafo do texto, contraindo as ideias principais e fixando-as num texto com cerca de quarenta palavras.

3. A personagem principal transparece a vivência de sentimentos intensos. Procura transcrever expressões que confirmem os seguintes:
apreensão
preocupação
aflição

4. Segundo Chelsea, quais eram os defeitos e as virtudes da mãe?

5. No quarto parágrafo podemos encontrar a palavra "microfone". Atribui sentido aos elementos de composição micro- e -fone e escreve outras palavras com cada um destes elementos.
micro-fone

II

Com base no text, elabora um comentário com cerca de sessenta palavras, sobre a frase:

A preguiça é mãe de muitos problemas.