3.2.07



Cá nesta Babilónia, donde mana
Matéria a quanto mal o mundo cria,
Cá, onde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega Monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;

Cá neste labirinto, onde a Nobreza,
Com esforço e saber pedindo vão
Às portas da cobiça e da vileza;

Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da Natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!

Luís de Camões, Poesia Lírica



1. Babilónia e Sião: são símbolos bíblicos que , aqui, podem ser entendidos como exílio e pátria. Babilónia para o poeta é Goa. No sentido bíblico: Babilónia é símbolo de triunfo passageiro de um mundo material. É ainda o mal presente
2. Mãe: Vénus, símbolo do amor sensual
3. Sião: Símbolo da vida espiritual e do bem da glória passada



I

1. Todo o poema, à excepção do último verso, se ocupa da caracterização de um lugar.
1.1. Metaforicamente, que nome se dá a esse lugar?
1.2. Indique:
- o(s) deítico(s) que introduz(em) a caracterização do lugar;
- a figura de estilo que vem associada ao emprego do(s) deítico(s).
1.3. Inventarie os males atribuídos a esse lugar.
1.4. Refira-se à dupla simbologia de "Babilónia".

2. Quase nada se diz sobre Sião.
2.1. De que forma se tem acesso ao que Sião representa?
2.2. Interprete os últimos dois versos do soneto.

3. Que terá Camões para nos dizer sobre a vida social e política no Oriente, onde se exilou?

4. De que forma este soneto se assemelha a uma página de diário?