13.1.07

A Bela e a Cobra





Era uma vez um rei que tinha três filhas, uma das quais era muito formosa e ao mesmo tempo dotada de boas qualidades. Chamava-se Bela. O rei tinha sido muito rico, mas, por causa de um naufrágio, ficou completamente pobre.
Um dia foi fazer uma viagem. Antes, porém, perguntou às filhas o que queriam que ele lhes trouxesse.
– Eu – disse a mais velha – quero um vestido e um chapéu de seda.
– Eu – disse a do meio – quero um guarda-sol de cetim.
– E tu, que queres? – perguntou ele à mais nova.
– Uma rosa tão linda como eu – respondeu ela.
– Pois sim – disse ele.
E partiu.
Passado algum tempo, trouxe as prendas de suas filhas. E disse à mais nova:
– Pega lá esta linda rosa. Bem cara me ficou ela!
Bela ficou muito surpreendida e perguntou ao pai porque é que lhe tinha dito aquilo. Ele, a princípio, não lho queria dizer, mas ela tantas instâncias fez que ele lhe respondeu que no jardim onde tinha colhido aquela rosa encontrara uma cobra, que lhe perguntou para quem ela era. Respondeu-lhe que era para a sua filha mais nova e ela disse que lha havia de levar, senão que era morto.
Consolou-o a menina:
– Meu pai, não tenha pena, que eu vou.
Assim foi. Logo que ela entrou naquele palácio, ficou admirada de ver tudo tão asseado, mas ia com muito medo. O pai esteve lá um pouco de tempo e depois foi-se embora. Bela, quando ficou só, dirigiu-se a uma sala e viu a cobra. Ia deitar-se quando começaram a ajudá-la a despir. Estava ela na cama quando sentiu uma coisa fria. Deu um grito e disse-lhe uma voz:
– Não tenhas medo.
Em seguida foi ver o que era e apareceu-lhe a cobra. A menina, a princípio, assustou-se, mas depois começou a afagá-la. Ao outro dia de manhã apareceu-lhe a mesa posta com o almoço. Ao jantar viu pôr a mesa, mas não lobrigou ninguém. À noite foi-se deitar e encontrou a mesma cobra. Assim viveu durante muito tempo, até que um dia foi visitar o pai. Mas quando ia a sair ouviu uma voz que lhe disse:
– Não te demores acima de três dias, senão morrerás.

Lá seguiu o seu caminho, já esquecida do que a voz lhe tinha dito. E chegou a casa do pai. Iam a passar os três dias quando se lembrou que tinha de voltar. Despediu-se de toda a família e partiu a galope. Chegou já à noite e foi deitar-se, como tinha de costume, mas já não sentiu o tal bichinho. Cheia de tristeza, levantou-se pela manhã muito cedo, foi procurá-lo no jardim e qual não foi a sua admiração ao vê-lo no fundo dum poço! Ela começou a afagá-lo, chorando, e caiu-lhe uma lágrima no peito. Assim que a lágrima lhe tocou, a cobra transformou-se num príncipe, que ao mesmo tempo lhe disse:
– Só tu, minha donzela, me podias salvar! Estou aqui há uns poucos de anos e, senão chorasses sobre o meu peito, ainda aqui estaria cem anos mais!
O príncipe gostou tanto dela que casaram e viveram durante muitos anos.

Contos Tradicionais Portugueses
Publicações Europa-América



I

1. Identifica as personagens e classifica-as quanto ao relevo.
1.1. Caracteriza física e psicologicamente Bela.

2. Identifica e caracteriza os diferentes espaços no texto.

3. Bela, a filha mais nova do rei, pediu uma rosa.
3.1. Explica por que razão o pai diz que a rosa lhe ficou "bem cara".

4. Observa a frase: "- Meu pai, não tenha pena, que eu vou."
4.1. Indica a(s) função(ões) da linguagem patente(s) na frase transcrita.

5. "Era uma vez", "Um dia", "Passado algum tempo", e "viveram durante muitos anos" são algumas expressões temporais do texto.
5.1. Aponta as características que têm em comum com os contos tradicionais.



II


Faz o resumo do conto tradicional A Bela e a Cobra.