13.1.07

Aquela triste e leda madrugada


Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se dũa outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que de uns e de outros olhos derivadas,
Se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela ouviu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.

Luís de Camões

I

1. Que situação inspirou o poeta na criação deste soneto?
2. Em quantas partes lógicas se divide esta composição poética?
2.1. Delimita-as e refere o seu assunto.
3. Quais os sentimentos expressos no poema?
4. A madrugada assegura a unidade do poema e funciona como personagem principal.
4.1. Comenta esta afirmação, retirando exemplos do texto.
5. De que forma se estabelece uma relação entre a natureza e os sentimentos do poeta?
6. Aponta a razão por que a madrugada nos é apresentada como “triste e leda”.
7. Identifique as seguintes figuras de estilo:
7.1. Triste e leda
7.2. Se acrescentaram em grande e largo rio
7.3. Viu as palavras
7.5. Tornar o fogo frio

II

1. Atenta na construção do poema, ao nível da estrutura externa.
1.1. Indica o número de estâncias que o constitui, a designação que se dá a essas estâncias e o nome que se atribui a este tipo de composição poética.

2. Regista o esquema rimático do poema e classifica o tipo de rima presente.

3. Faz a escanção do primeiro verso e classifica-o quanto ao número de sílabas métricas.



III

1. Insere este poema de Camões numa das correntes líricas estudadas e refere quais as suas principais características.